
Sábado à noite. Você abre o app, escolhe o sushi, aperta "confirmar" e já manda uma mensagem pro grupo: "pedi um delivery, chega em 40 minutos". Enquanto espera, dá uma passada no feed, vê o story de uma amiga na academia fazendo um treino funcional, curte, comenta "que mood" e volta pro Instagram procurar um look novo pra festa de sábado que vem. Segunda de manhã o cenário muda: você entra numa reunião de trabalho, alguém fala em "deadline apertado", outro pede um "feedback rápido" sobre o briefing, e você concorda balançando a cabeça, super natural, como se essas palavras sempre tivessem existido em português.
E sabe de uma coisa? Você não parou uma única vez, nesse dia inteiro, pra pensar "opa, isso é inglês". Elas simplesmente saíram da sua boca, ou dos seus dedos, no piloto automático. Delivery, feed, mood, look, deadline, feedback, briefing: todas em inglês, todas usadas com uma naturalidade que só existe quando uma palavra deixa de parecer estrangeira e vira parte do seu vocabulário do dia a dia.
Esse é o ponto central deste artigo: você já sabe muito mais inglês do que imagina. O problema é que esse conhecimento está guardado numa gaveta que você quase nunca abre, porque ele mora dentro do português, disfarçado, sem crachá de "isso aqui é outro idioma". Você reconhece essas palavras na hora, entende o que significam, usa elas certo na frase. Só não sabe pronunciar do jeito que um falante nativo pronunciaria, e nunca parou pra juntar esse vocabulário todo numa conversa real em inglês.
Este texto é uma lista de 100 palavras (e olha, vai passar disso) que você já usa em português sem perceber que são inglês. Vamos separar por assunto: tecnologia, trabalho, compras, comida, esporte, redes sociais, entretenimento, e vamos fechar com uma seção que a maioria dos textos sobre esse tema deixa de lado: as palavras que você usa em inglês, mas com um significado completamente diferente do que elas têm de verdade no idioma original. Essa parte sozinha já vale a leitura.
E não confunda este texto com aquelas listas de "as 100 palavras mais usadas pra aprender inglês do zero", tipo a que a EF publicou como guia de vocabulário básico ou a versão que a Berlitz também disponibiliza no próprio blog. Aquelas listas são ótimas pra quem está começando do zero e precisa de "the, be, of, and" pra montar as primeiras frases. Esta aqui é o oposto: são palavras que você já domina, que já saem da sua boca em português, e que por acaso são inglês.
O que é isso, afinal: estrangeirismo, anglicismo e por que isso acontece
Tem nome pra tudo, inclusive pra essa mania de misturar idiomas. Quando uma língua incorpora uma palavra de fora, sem tradução, o fenômeno se chama estrangeirismo: qualquer termo vindo de outro idioma que passa a circular no português, seja ele francês, italiano, japonês ou inglês, segundo a definição registrada na Wikipédia sobre estrangeirismo. Quando esse termo vem especificamente do inglês, ganha um nome mais específico: anglicismo, como explica o Norma Culta em seu artigo sobre estrangeirismos. Ou seja: todo anglicismo é um estrangeirismo, mas nem todo estrangeirismo é um anglicismo. "Chef" é estrangeirismo (vem do francês). "Delivery" é anglicismo (vem do inglês).
E por que o inglês virou, disparado, a maior fonte de palavras novas no português brasileiro dos últimos trinta anos, entre tantas nações espalhadas pelo planeta que têm o inglês como idioma oficial ou principal e tantas outras línguas que também poderiam ter influenciado o Brasil? Não é acaso. O Norma Culta atribui esse fenômeno a um combo de fatores: a globalização encurtando distâncias culturais, o avanço da tecnologia (que nasceu majoritariamente em empresas de língua inglesa, então os termos técnicos vieram junto), o prestígio social que ainda existe em falar ou usar palavras em inglês, e a força da cultura pop americana, de filme a música a série. A Yázigi resume esse mesmo cenário apontando quatro frentes principais onde o inglês mais penetrou o português do dia a dia: tecnologia e internet, mundo corporativo, moda e entretenimento. Não é coincidência que essas sejam exatamente as áreas que você vai ver detalhadas linha por linha neste artigo. O fator prestígio, aliás, vai além do vocabulário solto: ele aparece até na escolha de nomes próprios, com cada vez mais famílias brasileiras optando por nomes femininos em inglês na hora de batizar os filhos, um sintoma parecido do mesmo prestígio cultural que empurra tantas palavras em inglês pro nosso vocabulário cotidiano.
Vale notar uma coisa antes de seguir: nem toda palavra estrangeira chega do mesmo jeito. Algumas são emprestadas sem qualquer alteração, como "mouse" ou "delivery". Outras sofrem um processo de aportuguesamento, ganham sotaque na escrita mesmo, como "deletar" (de "to delete") ou "printar" (de "to print"). E tem um terceiro grupo, o mais traiçoeiro de todos, que são palavras que parecem inglês, soam como inglês, mas mudaram de significado no caminho. Chegamos lá.
Antes de entrar nas listas, vale um teste rápido: pega qualquer uma dessas palavras que você já usa sem pensar duas vezes e tenta falar ela em voz alta, isolada, sem o resto da frase em português. Percebeu como fica estranho? É porque reconhecer não é a mesma coisa que falar. E é justamente aí que mora a diferença entre saber inglês passivamente e realmente conseguir se comunicar. Se você quiser descobrir seu nível real de conversação (não o nível de "eu entendo os textos", mas o de "eu consigo falar"), o quiz de 2 minutos da Comigo monta um plano personalizado pra transformar esse vocabulário que você já domina em fala de verdade.
Tecnologia e internet: as palavras que você digita todo dia
Liga o computador. Antes mesmo de abrir qualquer aplicativo, você já passou pela metade do vocabulário técnico em inglês que existe. Você mexeu no mouse, olhou pro hardware da máquina, esperou o software carregar, checou se tinha wifi. Nenhuma dessas palavras tem uma tradução que pegou de verdade no uso cotidiano: ninguém fala "rato" pro periférico, ninguém diz "veste" pra tomada wifi. A língua simplesmente aceitou o termo original e seguiu em frente.
A tabela abaixo reúne os termos de tecnologia mais usados no português falado no Brasil hoje, segundo levantamentos como o da Open English sobre palavras em inglês do dia a dia:
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| mouse | dispositivo apontador do computador | "meu mouse travou de novo" |
| software | programa de computador | "preciso atualizar o software" |
| hardware | parte física do computador | "o hardware tá velho, precisa trocar" |
| download | baixar um arquivo da internet | "fiz o download do app ontem" |
| upload | enviar um arquivo pra internet | "o upload da foto tá lento" |
| internet | rede mundial de computadores | "caiu a internet aqui em casa" |
| site | página ou conjunto de páginas na web | "entra no site pra ver o preço" |
| correio eletrônico | "te mando por email" | |
| deletar | apagar um arquivo ou mensagem | "deletei a conversa sem querer" |
| printar | tirar uma captura de tela (uso errado, ver seção de falsos cognatos) | "printa essa conversa pra mim" |
| backup | cópia de segurança | "faz backup antes de formatar" |
| streaming | transmissão de conteúdo em tempo real | "assisti na streaming ontem à noite" |
| wifi | rede sem fio | "qual a senha do wifi?" |
| app | aplicativo | "baixei um app novo de finanças" |
| login | processo de entrada em um sistema | "esqueci meu login de novo" |
| password | senha, embora "senha" continue sendo mais usado | "trocaram o password do wifi" |
| smartphone | telefone celular inteligente | "meu smartphone tá lento" |
| tablet | computador portátil de tela sensível ao toque | "as crianças usam o tablet à noite" |
Repara numa coisa curiosa: "senha" é uma palavra em português perfeitamente funcional, mas "password" ainda aparece bastante em contextos de trabalho e tecnologia, geralmente quando o sistema em si está em inglês. É um bom exemplo de como o vocabulário de tecnologia migra direto da interface do produto pra fala das pessoas. Se você quiser conferir a pronúncia exata de "software", por exemplo, o dicionário online da Cambridge traz a transcrição fonética e um áudio nativo, o que ajuda bastante porque a forma como a gente fala essa palavra em português (com o "e" bem aberto no final) está longe do som original em inglês.
Boa parte desse vocabulário técnico também aparece espalhado nas letras do alfabeto e nos números que você usa pra soletrar senhas e códigos por telefone. Se esse tipo de detalhe te interessa, vale conferir o guia de pronúncia do alfabeto em inglês, essencial pra quem precisa soletrar um email ou um login em uma call de trabalho sem travar.
Vale reparar também que muitas dessas palavras já ganharam versão verbalizada em português, o que é um sinal claro de que deixaram de ser "estrangeiras" pra virar parte ativa da língua: a gente conjuga "deletar" (eu deleto, ele deletou, nós deletamos) do mesmo jeito que conjuga qualquer verbo regular em "-ar". Isso é raro de acontecer com palavras que ainda soam como corpo estranho num idioma, e mostra o quanto a internet acelerou esse processo de adoção, como aponta o próprio Open English em outro trecho do levantamento sobre o tema.
Trabalho e vida corporativa: o vocabulário do escritório (mesmo em home office)
Reunião de segunda-feira, 9h da manhã. Em menos de dez minutos você provavelmente vai ouvir cinco ou seis palavras em inglês, sem que ninguém ache estranho. É quase um dialeto próprio, o "corporês", que mistura português com um vocabulário inteiro emprestado do inglês corporativo americano. Isso acontece porque grande parte da cultura de gestão moderna, de metodologias ágeis a modelos de liderança, foi importada de empresas americanas junto com o vocabulário que as descreve, como aponta o Norma Culta ao tratar da presença do inglês no ambiente profissional.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| deadline | prazo final de entrega | "o deadline é sexta-feira" |
| feedback | retorno, avaliação sobre algo | "me dá um feedback sobre a proposta" |
| briefing | resumo com instruções de um projeto | "o cliente mandou o briefing hoje" |
| freelancer | profissional autônomo, sem vínculo fixo | "ela trabalha como freelancer" |
| networking | rede de contatos profissionais | "fui no evento fazer networking" |
| workshop | oficina ou curso prático curto | "vou participar de um workshop amanhã" |
| coffee break | intervalo para café durante um evento | "o coffee break é às 15h" |
| meeting | reunião | "tenho um meeting daqui a pouco" |
| expertise | especialização, domínio em uma área | "a expertise dele é em vendas" |
| follow-up | acompanhamento posterior de algo combinado | "vou fazer um follow-up com o cliente" |
| target | meta, público-alvo | "o target da campanha são jovens" |
| budget | orçamento disponível | "o budget desse mês tá curto" |
| know-how | conhecimento prático acumulado | "eles têm know-how em logística" |
| overtime | hora extra de trabalho | "fiz overtime essa semana" |
| brainstorm | sessão de geração de ideias em grupo | "vamos fazer um brainstorm pra resolver isso" |
"Home office" também faz parte desse universo, e virou uma das expressões mais usadas depois de 2020, mas ela guarda uma pegadinha interessante que vamos destrinchar direitinho na seção sobre falsos cognatos, porque o significado que a gente usa no Brasil não é exatamente o mesmo do inglês original.
Uma curiosidade sobre "feedback": em inglês, o "a" tem um som mais fechado, quase um "é", bem diferente do jeito como a maioria dos brasileiros fala, com o "a" aberto tipo "féd-béqui". Dá pra ouvir a diferença real no áudio nativo disponível no Cambridge Dictionary. Esse tipo de detalhe pequeno é exatamente o que separa quem reconhece a palavra escrita de quem consegue usá-la numa conversa real em inglês sem hesitar.
Se esse universo de vocabulário profissional te interessa, vale complementar com uma lista maior de expressões em inglês usadas no trabalho, viagem e no dia a dia, que vai além das palavras soltas e entra em frases inteiras que você provavelmente vai precisar usar numa entrevista de emprego ou reunião internacional. E se o objetivo é usar esse vocabulário numa entrevista internacional de verdade, vale entender em que nível de proficiência você está hoje: o guia sobre os níveis de proficiência em inglês (do A1 ao C2) e como evoluir entre eles ajuda a colocar esse vocabulário todo dentro de um contexto de progresso real, não só de palavras soltas.
Compras, moda e beleza: o inglês do provador e da vitrine
Você entra numa loja, pede pra ver "o novo look" da coleção, pergunta se tem "sale" essa semana, experimenta um "blazer oversized" e sai comentando que aquilo era "must-have". Em nenhum momento você parou pra pensar em traduzir essas palavras, porque a moda, mais do que qualquer outra área, adotou o inglês como idioma oficial das vitrines. Faz sentido: boa parte das grifes e tendências que chegam ao Brasil nasce em desfiles e revistas de língua inglesa, e o vocabulário vem embutido.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| sale | liquidação, promoção | "essa loja tá em sale total" |
| outlet | loja de fábrica com preço reduzido | "fui comprar no outlet no fim de semana" |
| look | visual, combinação de roupa | "adorei seu look hoje" |
| makeup | maquiagem | "ela fez uma makeup bem leve" |
| spray | jato ou borrifo (também usado como substantivo) | "passei um spray fixador" |
| jeans | tecido de sarja azul, também vira sinônimo de calça | "comprei um jeans novo" |
| blazer | paletó estruturado, geralmente esportivo | "usei um blazer na entrevista" |
| fashion | moda, ou "na moda" | "esse tênis tá muito fashion" |
| must-have | item indispensável, essencial de ter | "esse batom é um must-have" |
| sneaker | tênis casual | "comprei um sneaker branco" |
| skincare | cuidados com a pele | "minha rotina de skincare tem cinco passos" |
| closet | guarda-roupa, geralmente embutido | "meu closet tá pequeno demais" |
| fit | ajuste da roupa ao corpo | "gostei do fit dessa calça" |
| oversized | roupa proposital maior que o tamanho do corpo | "camiseta oversized tá em alta" |
"Shopping" também mora aqui, no meio da moda e do consumo, mas ela é outra vítima da confusão de significado entre o português brasileiro e o inglês real, e vai ganhar linha própria mais na frente, na seção de falsos cognatos, porque essa é provavelmente a palavra mais usada errado do país inteiro.

O termo "fashion", aliás, é um bom exemplo de como uma palavra em inglês pode virar adjetivo em português com um uso próprio, que nem sempre bate com o uso original. A Wizard reuniu mais de 80 exemplos de anglicismos parecidos, boa parte deles do universo de moda e consumo, mostrando como essa área é uma das que mais recebe e recicla vocabulário emprestado.
Uma dica de pronúncia rápida: "sneaker" costuma sair como "isniquer" na boca de muita gente, mas o som real é bem mais curto, quase "sní-câr", sem o "i" extra no começo. Vale ouvir a versão nativa no verbete correspondente do dicionário da Cambridge antes de usar essa palavra numa loja fora do Brasil, porque a diferença de som pode fazer o vendedor não entender o que você está pedindo.
Comida e bebida: o cardápio bilíngue do brasileiro
Sexta à noite, cardápio na mão (ou na tela do celular): "vou pedir um combo de fast food", "quero aquele hot dog com bacon", "será que rola um brunch amanhã?". A gastronomia é outro território onde o português brasileiro simplesmente parou de traduzir. Ninguém pede "cachorro-quente com pão especial" quando o combo já vem escrito em inglês no cardápio.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| delivery | entrega, serviço de entrega de comida | "vamos pedir delivery hoje" |
| fast food | comida rápida, refeição pronta rápida | "comi um fast food no caminho" |
| milkshake | bebida cremosa batida com sorvete e leite | "quero um milkshake de chocolate" |
| brunch | refeição que mistura café da manhã e almoço | "marcamos um brunch no domingo" |
| drink | bebida, geralmente alcoólica | "vamos tomar um drink depois" |
| hot dog | cachorro-quente | "o hot dog daquele carrinho é ótimo" |
| cheesecake | torta cremosa de queijo | "a sobremesa é um cheesecake de frutas vermelhas" |
| drive-thru | atendimento sem sair do carro | "passamos no drive-thru antes de casa" |
| brownie | doce de chocolate denso, em formato de bloco | "pedi um brownie com sorvete" |
| muffin | bolinho individual, geralmente com frutas ou chocolate | "comprei um muffin de mirtilo" |
| bacon | barriga de porco defumada e fatiada | "quero bacon no meu hambúrguer" |
| smoothie | bebida cremosa batida com frutas | "fiz um smoothie de banana no café da manhã" |
Alguns desses termos passaram por uma adaptação curiosa na pronúncia brasileira. "Hot dog", por exemplo, vira quase "rót-idógui" na boca de muita gente, cheio de vogais extras que o inglês original não tem. É um padrão que se repete em quase todo empréstimo linguístico do inglês pro português, documentado também pela Nação Fluente em seu levantamento sobre palavras usadas incorretamente, e que a gente vai destrinchar com calma daqui a pouco, porque entender esse padrão é o primeiro passo pra corrigir ele.
Esporte, saúde e fitness: da academia à liga de futebol
Você chega na academia, o personal trainer manda fazer um treino funcional, depois um cardio leve pra fechar, e no caminho de volta pra casa você já está pensando no shake de proteína que vai tomar. Repara como o vocabulário de fitness é quase todo emprestado: a cultura de academia como a conhecemos hoje, com essa estrutura de treino dividido, ranking de desempenho e acompanhamento próximo, veio de um modelo americano, e trouxe a língua junto.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| fitness | relacionado à boa forma física | "ela é bem fitness, treina todo dia" |
| personal trainer | profissional que orienta o treino individual | "contratei um personal trainer" |
| ranking | classificação por desempenho | "ele subiu no ranking do campeonato" |
| doping | uso de substância proibida para melhorar desempenho | "o atleta foi pego no doping" |
| functional | tipo de treino que usa o peso do corpo e movimentos variados | "faço treino functional três vezes por semana" |
| detox | processo de "desintoxicação", geralmente alimentar | "essa semana tô fazendo um detox" |
| shake | bebida batida, geralmente proteica | "tomo um shake depois do treino" |
| workout | sessão de exercício físico | "meu workout de hoje foi puxado" |
| warm-up | aquecimento antes do treino | "nunca pula o warm-up" |
| cardio | exercício aeróbico, focado em resistência cardiovascular | "faço vinte minutos de cardio" |
Um caso interessante nessa área é a palavra "gol". Ela vem do inglês "goal", que significa tanto o objetivo do jogo quanto a meta em qualquer área da vida (você já deve ter ouvido "meu goal esse ano é aprender inglês", por exemplo). O português absorveu "goal" há tanto tempo, e adaptou tanto a grafia, que hoje quase ninguém associa "gol" a uma palavra estrangeira, embora a origem seja exatamente essa. É um bom lembrete de que o processo de empréstimo linguístico não é recente, só ficou mais visível (e mais rápido) com a internet.
Quer entender melhor esse fenômeno de importação cultural junto com o vocabulário? O guia sobre países que falam inglês pelo mundo mostra como o idioma se espalhou junto com esportes, negócios e entretenimento por praticamente todos os continentes, o que ajuda a explicar por que ele domina tantas áreas específicas do vocabulário brasileiro.
Outra palavra que rende confusão de pronúncia é "cardio": muita gente fala "cárdio", com o acento na primeira sílaba, quando o som em inglês (derivado de "cardiovascular") tende a ficar mais parecido com "cárdi-ôu". Pequenas diferenças assim, como mostra a transcrição fonética publicada pela Cambridge, são exatamente o tipo de detalhe que passa despercebido quando você só lê a palavra, mas que fica evidente na hora de falar com alguém de fora.
Antes de seguir pro próximo assunto, um parênteses: se você já reparou que reconhece palavras assim, soltas, mas trava na hora de montar uma frase inteira falada em inglês, isso não é falta de vocabulário, é falta de prática de fala mesmo. É exatamente essa lacuna que o quiz gratuito da Comigo foi pensado pra mapear: em dois minutos ele identifica onde você trava e monta um plano de aulas faladas, com feedback palavra por palavra, pra você sair do "eu entendo" e chegar no "eu falo".
Redes sociais e gírias: o inglês que a internet inventou
Feed, story, live, crush, mood: se você tem menos de 40 anos e usa redes sociais, provavelmente já falou todas essas palavras hoje, sem nem perceber que trocou de idioma no meio da frase. As gírias de internet são, hoje, a fonte mais rápida de novos anglicismos no português, porque memes e tendências viajam globalmente em questão de horas, sem tempo pra tradução se firmar. Levantamentos como o da EF sobre gírias em inglês que você precisa conhecer e o da Fluencypass sobre as gírias mais usadas em inglês mostram como esse vocabulário migrou direto das redes sociais pra fala cotidiana.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| spoiler | revelar o final de algo antes da hora | "não dá spoiler da série, por favor" |
| crush | paquera, pessoa por quem você tem uma queda | "ele é meu crush desde o ano passado" |
| hater | pessoa que critica ou odeia algo/alguém online | "ela ignora os haters" |
| mood | estado de espírito do momento | "esse é meu mood hoje" |
| stalkear | investigar o perfil de alguém nas redes | "fiquei horas stalkeando o perfil dela" |
| shippar | torcer para que duas pessoas fiquem juntas | "eu shippo muito esse casal" |
| feed | linha do tempo com as publicações | "meu feed tá cheio de propaganda" |
| stories | publicações temporárias que somem em 24 horas | "posta isso nos stories" |
| live | transmissão ao vivo | "vou assistir a live mais tarde" |
| unfollow | deixar de seguir um perfil | "dei unfollow nele" |
| like | curtida | "dá um like nessa foto" |
| trending | em alta, assunto do momento | "essa hashtag tá trending" |
| cringe | vergonha alheia, constrangimento | "aquele vídeo foi muito cringe" |
| ghosting | sumir sem explicação de uma conversa ou relação | "ele fez ghosting comigo" |
Segundo a Fluencypass, em outro levantamento sobre gírias em inglês, grande parte desse vocabulário nasce dentro de comunidades específicas (fandoms, jogos, TikTok) e depois vaza pro uso geral, o que explica por que às vezes você entende uma gíria nova sem nunca ter procurado o significado dela: o contexto ensina. Isso confirma o que outro material da Fluencypass sobre as gírias mais usadas do inglês atual também mostra: gíria de internet muda rápido demais pra qualquer lista, impressa ou digital, dar conta de acompanhar por muito tempo.

Vale um adendo sobre "shippar": a palavra vem de "relationship" (relacionamento), reduzida pra "ship" e depois verbalizada com o sufixo brasileiro "-ar", virando "shippar". Esse tipo de adaptação morfológica, pegar uma palavra inglesa e conjugar ela como verbo em português (igual aconteceu com "deletar", "printar" e "startar"), é um dos processos mais criativos da língua e mostra que o português não importa passivamente, ele reprocessa o material emprestado.
"Cringe" merece um comentário à parte, porque virou uma das gírias mais usadas da década, tanto que aparece listada entre os termos que a EF considera essenciais pra quem acompanha a internet em inglês. A pronúncia correta tem um som de "r" bem mais suave que o "r" brasileiro, quase uma vogal, o que faz a palavra soar bem diferente de "crinch", jeito como muita gente costuma falar por aqui.
Entretenimento e cultura pop: o vocabulário de quem assiste, ouve e joga
Você viu o trailer, ouviu que o final tem um twist incrível mas ninguém te contou o spoiler, colocou a soundtrack do filme na playlist e já tá esperando o remake anunciado pra ano que vem. A indústria do entretenimento, como poucas outras, exporta vocabulário junto com o produto: filme, música, série e jogo chegam com um pacote de palavras que ninguém se dá ao trabalho de traduzir, porque a tradução muitas vezes soaria mais estranha que o termo original.
| Palavra | Tradução / significado | Onde você usa |
|---|---|---|
| trailer | vídeo de divulgação de um filme ou série | "já vi o trailer umas dez vezes" |
| soundtrack | trilha sonora | "a soundtrack desse filme é incrível" |
| remake | nova versão de uma obra já existente | "vão lançar um remake do clássico" |
| sequel | continuação de um filme ou livro | "o sequel fica pior que o original" |
| playlist | lista de músicas organizada | "fiz uma playlist pra viagem" |
| show | espetáculo, apresentação ao vivo | "fui num show incrível ontem" |
| backstage | bastidores | "consegui acesso ao backstage" |
| blockbuster | grande sucesso de bilheteria | "esse filme foi um blockbuster no verão" |
| prime time | horário nobre da programação | "esse programa passa no prime time" |
A Yázigi listou uma série de palavras em inglês que você provavelmente já falou sem perceber, e boa parte delas vem justamente do universo de cinema, música e streaming, reforçando esse padrão apontado também pela mesma Yázigi em outro artigo sobre estrangeirismo: onde tem cultura pop americana, tem vocabulário emprestado junto.
Se você curte esse tipo de conteúdo em inglês (séries, filmes, música) e sente que entende bem mais do que consegue falar, vale conferir também as diferenças entre sotaques, porque boa parte do que chega até o Brasil mistura inglês americano e britânico sem aviso. O guia sobre inglês britânico, seus sotaques e suas gírias ajuda a identificar essas diferenças na prática, útil principalmente pra quem assiste muita série gravada no Reino Unido. E se bater a dúvida na hora de pronunciar "soundtrack" ou "blockbuster", o dicionário da Cambridge na internet mostra a transcrição fonética das duas palavras com áudio nativo em inglês americano e britânico lado a lado.
Os falsos cognatos brasileiros: palavras em inglês que a gente usa errado
Aqui está a parte mais importante deste artigo, e também a mais reveladora. Existe um grupo de palavras que os brasileiros usam o tempo inteiro, convictos de que estão falando inglês correto, quando na verdade criaram um significado próprio, diferente do que a palavra realmente quer dizer no idioma original. Não é erro de português, porque essas palavras nem são português. É um desvio de significado que aconteceu no meio do caminho, entre o inglês real e o inglês que o Brasil decidiu adotar.
O Times Idiomas reuniu uma lista extensa dessas palavras usadas com outro significado no Brasil, e a Central Press também dedicou dois artigos ao tema, um listando dez palavras em inglês que você provavelmente está usando errado e outro reunindo dez palavras em inglês que não significam exatamente o que parecem. A Nação Fluente também documentou o fenômeno num artigo sobre palavras em inglês usadas incorretamente pelos brasileiros. Vamos passar pelas principais.

| Palavra usada no Brasil | O que a gente pensa que significa | O que realmente significa em inglês |
|---|---|---|
| smoking | terno formal, black tie | em inglês, "smoking" é o gerúndio de "to smoke" (fumar); a peça de roupa se chama "tuxedo" |
| notebook | computador portátil | em inglês, "notebook" é um caderno de papel; o computador se chama "laptop" |
| outdoor | painel publicitário nas ruas | em inglês, "outdoor" é um adjetivo que significa "ao ar livre"; o painel se chama "billboard" |
| shopping | centro comercial, mall | em inglês, "shopping" é o gerúndio de "to shop" (fazer compras); o lugar se chama "mall" |
| pendrive | dispositivo USB de armazenamento | em inglês, esse objeto se chama "flash drive" ou "USB drive"; "pendrive" praticamente não é usado |
| home office | trabalho remoto, de casa | em inglês, "home office" é literalmente o cômodo da casa usado como escritório, não o ato de trabalhar remotamente |
| print screen | tirar uma captura de tela | "print screen" é o nome da tecla do teclado; a ação de capturar a tela se chama "screenshot" |
| underline | o caractere "_" (traço embaixo) | em inglês, "underline" é o verbo sublinhar; o caractere se chama "underscore" |
| data show | projetor de imagens | em inglês esse equipamento se chama simplesmente "projector"; "data show" não existe como termo |
| footing | caminhada ou corrida leve ao ar livre | em inglês, "footing" não tem esse sentido esportivo; o termo usado é "jogging" ou "running" |
Repara como o padrão se repete, algo que a própria Central Press descreve em detalhe no segundo artigo sobre o tema: quase sempre o brasileiro pegou uma palavra inglesa real, mas trocou o sentido dela por outro, geralmente ligado à forma como o objeto ou a ação apareceu aqui pela primeira vez (numa embalagem, num anúncio, numa tecla de teclado importado). "Print screen" é talvez o exemplo mais claro: é literalmente o nome impresso na tecla de um teclado (em inglês, "Print Screen" ou "PrtScn"), e o brasileiro generalizou o nome da tecla pra virar o nome da ação inteira, quando o verbo certo seria "to screenshot" ou a expressão "take a screenshot".
Outro caso curioso é "home office". A expressão pegou tanto depois de 2020 que hoje é sinônimo de trabalho remoto em qualquer contexto no Brasil. Só que, se você usar "home office" desse jeito numa conversa com um americano ou um britânico, a pessoa provavelmente vai entender que você está falando do cômodo físico, a salinha com mesa e cadeira dentro da própria casa, e não do modelo de trabalho em si. Pra falar "trabalho remoto" em inglês de verdade, o termo é "remote work" ou "working from home".
Existem outros exemplos parecidos que não couberam na tabela, mas que valem uma consulta rápida se você quiser se aprofundar: a Central Press detalha por que "outdoor" e "shopping" viraram armadilhas tão comuns, enquanto a Wizard reforça o mesmo padrão em outros termos técnicos e do dia a dia que também mudaram de sentido no caminho até o português.
Essa seção, honestamente, é a que mais separa quem só decorou palavras soltas de quem realmente entende como o inglês funciona. E é também um ótimo motivo pra ir além da lista e praticar a língua com contexto real, porque só assim esses deslizes de significado deixam de acontecer.
Por que a gente pronuncia tudo errado (e por que isso importa)
Escrever "hot dog" é fácil. Falar "hot dog" do jeito que um americano fala já é outra história. A maioria dos brasileiros pronuncia "ho-tchi-dó-gui", com uma vogal extra depois de cada consoante final, porque essa é a estrutura natural do português: quase toda sílaba termina em vogal. O inglês, ao contrário, tolera várias consoantes seguidas e finais "secos", sem vogal de apoio nenhuma. É por isso que "feedback" vira "fidibéqui", "workshop" vira "uóquichopi" e "look" vira "luki" na boca de muita gente.
Esse fenômeno tem explicação linguística e não é motivo de vergonha nenhuma: é o que acontece naturalmente quando um falante de uma língua com estrutura silábica aberta (português) tenta reproduzir sons de uma língua com estrutura silábica fechada (inglês). O problema não é errar, é nunca perceber que está errando, porque a palavra escrita "parece certa" e ninguém corrige no dia a dia, já que todo mundo ao redor pronuncia igual.
Aqui está o ponto principal desta seção, e talvez do artigo inteiro: reconhecer uma palavra escrita não é o mesmo que saber falar ela. Você pode ler "feedback" cem vezes por semana em mensagens de trabalho e ainda assim nunca ter ouvido o som real da palavra, porque nunca precisou falar ela em voz alta pra um interlocutor que exigisse a pronúncia correta. É um vocabulário passivo gigante, construído sem nunca passar pelo teste da fala.
Vale o hábito de conferir a pronúncia real de vez em quando. O Cambridge Dictionary tem áudio nativo pra praticamente qualquer palavra, incluindo essas que já fazem parte do seu vocabulário em português, e ouvir a diferença é o primeiro passo pra treinar a boca a fazer o som certo. Outra ferramenta boa é comparar como a mesma palavra soa em diferentes sotaques: o inglês americano e o britânico às vezes pronunciam a mesma palavra de formas bem diferentes, como mostra o guia sobre pronúncia e sotaques do inglês britânico.
Se você quiser um exercício simples pra sentir isso na prática, pega dez das palavras das tabelas acima, procura a transcrição fonética delas e tenta falar em voz alta, devagar, prestando atenção em onde a língua e os lábios se posicionam. É estranho no começo. Todo processo de corrigir pronúncia é. Mas é exatamente esse tipo de repetição consciente que fecha a distância entre "eu conheço essa palavra" e "eu falo essa palavra direito".
Esse tipo de confusão não acontece só com anglicismos soltos, acontece até com expressões que a gente aprende na escola e nunca revisa direito. É o mesmo motivo pelo qual tanta gente troca a hora certa de usar "good evening" e "good night", como explica o guia sobre a diferença entre boa noite e boa tarde em inglês: a teoria parece simples, mas só fica de verdade quando você usa em voz alta, no momento certo, sem parar pra pensar.
Isso é "errado"? Estrangeirismo, norma culta e a evolução da língua
Essa é uma pergunta que divide opiniões, inclusive entre especialistas. Pela ótica mais tradicional da gramática normativa, usar uma palavra estrangeira quando já existe um equivalente perfeitamente funcional em português é classificado como "vício de linguagem", especificamente um "barbarismo", como aponta o Norma Culta ao tratar dos anglicismos na língua portuguesa. Nessa visão, dizer "deletar" quando "apagar" já resolve, ou "printar" quando "imprimir" está disponível há séculos, seria um desvio evitável.
Só que boa parte dos linguistas modernos considera essa visão simplista demais. Língua viva muda, incorpora, descarta e reinventa palavras o tempo todo, e isso nunca parou de acontecer, desde que o português "roubou" palavras do árabe, do tupi, do francês e do italiano ao longo dos séculos. A diferença é que hoje esse processo é mais rápido e mais visível, porque a internet encurtou o tempo entre "uma palavra nova aparece em outro país" e "essa palavra já está sendo usada aqui", como descreve o próprio verbete da Wikipédia em inglês sobre anglicismo, que trata o fenômeno como parte natural do contato entre línguas em contextos de globalização.
A visão mais equilibrada, então, provavelmente fica no meio-termo: usar "deletar" numa conversa informal não é crime nenhum, é só a língua fazendo o que sempre fez, adaptando vocabulário conforme a necessidade e o contexto cultural. Mas existe uma diferença entre incorporar um termo que preenche uma lacuna real (como "software", que não tem tradução direta boa) e simplesmente trocar de idioma no meio da frase por status ou hábito, quando a palavra em português já dá conta do recado igual bem. Nenhuma das duas coisas é "errada" no sentido absoluto, mas vale ter consciência de qual delas você está fazendo, e por quê. O próprio Times Idiomas nota esse mesmo equilíbrio ao comentar que o problema real não é usar a palavra emprestada, é usar ela achando que tem o mesmo significado do inglês original quando não tem.
O importante, pro propósito deste artigo, não é resolver esse debate (ele é bem mais antigo e mais amplo do que qualquer lista de palavras poderia cobrir, como a própria Wikipédia em inglês reconhece ao tratar do assunto de forma mais ampla), mas mostrar uma coisa prática: você já convive com o inglês dentro do seu português todos os dias, quer ache isso "certo" ou "errado". A pergunta que vale a pena fazer não é se isso é correto, é: já que você já domina tanto vocabulário em inglês, por que não aproveitar essa base pra realmente aprender a falar o idioma?
De vocabulário passivo a inglês falado: como aproveitar o que você já sabe
Aqui vai um exercício simples, que qualquer pessoa consegue fazer em quinze minutos. Pega as tabelas deste artigo e escolhe dez palavras que você usa toda semana sem pensar duas vezes: pode ser "delivery", "feedback", "closet", "spoiler", o que for. Escreve elas numa lista. Agora, pra cada uma, procura a pronúncia real no dicionário, ouve o áudio duas ou três vezes, e repete em voz alta até sentir que o som saiu parecido. Depois, monta uma frase curta com cada palavra, mas em inglês inteiro, não misturando com português. "I ordered a delivery yesterday." "Can you give me some feedback?" Fala essas frases em voz alta, sozinho, sem medo de errar.
Esse exercício parece bobo, mas ele faz uma coisa importante: transforma reconhecimento passivo (você olha a palavra e sabe o que ela significa) em produção ativa (você consegue formar e falar uma frase com ela, na hora, sem procurar tradução). É exatamente essa transição, do "eu entendo" pro "eu falo", que separa quem trava numa conversa em inglês de quem se solta.
Um detalhe que ajuda bastante nesse momento: preste atenção nos verbos que você usa nessas frases, porque boa parte da trava na hora de falar vem de verbo irregular conjugado errado, não da falta de vocabulário. Revisar a lista completa de verbos irregulares em inglês com tradução e pronúncia antes de começar a treinar frases faladas evita que você aprenda um vocabulário novo bonito mas continue tropeçando em "go, went, gone" no meio da conversa.

Essa é literalmente a lógica por trás da Comigo. Em vez de mais uma lista de vocabulário pra decorar (você já tem vocabulário sobrando, como este artigo inteiro acabou de provar), o app foi construído em volta da fala desde a primeira lição. O Capy, a capivara que guia as conversas dentro do app, fala com você e espera que você responda em voz alta, palavra por palavra, com feedback imediato sobre a pronúncia. Tem também o modo Free Speak, uma conversa em tempo real por voz, pra praticar sem roteiro fixo, e jogos como o Capy Crossing e o Word Duel, pensados pra tornar a repetição de vocabulário menos cansativa e mais parecida com uma brincadeira do que com estudo. Junto com isso, tem sequências de dias treinando (streaks) e a possibilidade de treinar com amigos, o que ajuda a manter a constância, que é o fator que mais derruba quem tenta aprender um idioma sozinho.
Se esse vocabulário todo que você já domina em português (tecnologia, trabalho, moda, comida, redes sociais) puder virar conversa falada de verdade, o salto de "eu reconheço inglês" pra "eu falo inglês" fica bem menor do que parece. A ideia da Comigo é justamente essa: pegar o ponto de partida que você já tem (spoiler: provavelmente mais alto do que imaginava antes de ler este artigo inteiro) e montar, a partir dele, um plano de prática falada real.
Enquanto isso, vale reforçar as bases junto com o vocabulário novo. Números, cores e partes da casa parecem básicos, mas são exatamente o tipo de vocabulário que trava quem nunca praticou falar em voz alta. Os guias de números em inglês de 1 a 20 com pronúncia, nomes das cores em inglês e partes da casa em inglês com frases de prática são bons pontos de partida pra treinar justamente essa transição entre reconhecer e falar.
Perguntas frequentes sobre palavras em inglês no dia a dia
Quantas palavras em inglês a gente realmente usa no português do dia a dia?
Não existe um número oficial fechado, porque novas gírias e termos técnicos entram (e às vezes saem) o tempo todo, mas listas como a deste artigo, somando tecnologia, trabalho, moda, comida, esporte, redes sociais e entretenimento, facilmente ultrapassam 100 palavras de uso corrente. E isso sem contar termos mais técnicos de áreas específicas, como direito, medicina ou engenharia, que também importam bastante vocabulário do inglês. Se o seu objetivo for outro, aprender as palavras mais usadas do inglês do zero (não as que você já usa em português), listas como a da Berlitz sobre as 100 palavras mais usadas pra aprender inglês são um ponto de partida melhor.
"Delivery", "feedback" e palavras assim são estrangeirismo ou empréstimo linguístico?
Os dois termos descrevem, na prática, o mesmo fenômeno: uma palavra de outra língua sendo incorporada ao português. "Estrangeirismo" é o termo mais usado pela gramática normativa, geralmente com uma conotação de "uso que poderia ser evitado". "Empréstimo linguístico" é o termo preferido pela linguística moderna, mais neutro, que reconhece isso como parte normal da evolução de qualquer idioma vivo, como descreve o verbete da Wikipédia dedicado ao tema.
Por que se usa tanta palavra em inglês especificamente no ambiente de trabalho?
Porque grande parte da cultura corporativa moderna (metodologias de gestão, cargos, ferramentas de produtividade) foi desenvolvida e documentada originalmente em inglês, geralmente por empresas americanas, e chegou ao Brasil já com o vocabulário embutido. Traduzir tudo daria trabalho e, em muitos casos, o termo em inglês já virou o "nome oficial" do conceito antes mesmo de alguém propor uma tradução.
Usar essas palavras em inglês atrapalha meu português?
Não, desde que você continue dominando bem o português formal quando ele for necessário (numa redação, num relatório, numa entrevista mais formal). O uso de estrangeirismos no dia a dia é uma camada informal da língua, coexistindo com o português padrão, não substituindo ele. O problema apareceria só se alguém perdesse o domínio do português formal por conta disso, o que não é o caso da esmagadora maioria das pessoas que usam esse vocabulário.
Saber essas palavras já significa que eu falo inglês?
Significa que você já tem uma base de vocabulário bem maior do que imaginava, mas vocabulário sozinho não é fluência. Fluência envolve pronúncia, gramática em movimento (formar frases na hora, sem tradução mental) e compreensão auditiva. É por isso que muita gente lê inglês tranquilamente mas trava numa conversa real: o vocabulário passivo já existe, falta o treino ativo de fala. Dá pra entender melhor essa diferença olhando pra escala oficial de níveis, do básico ao avançado, no guia sobre proficiência em inglês e os níveis do CEFR: vocabulário de anglicismo cotidiano normalmente já entrega um A2 ou B1 passivo, mas falar com fluência pede prática ativa pra subir esses níveis de verdade.
Existe diferença entre anglicismo, estrangeirismo e empréstimo linguístico?
Sim, embora na prática os três se sobreponham bastante. Estrangeirismo é o termo guarda-chuva para qualquer palavra vinda de fora. Anglicismo é o estrangeirismo especificamente vindo do inglês. Empréstimo linguístico é o nome mais técnico e neutro, usado pela linguística, para o mesmo processo, sem o julgamento de valor que às vezes acompanha a palavra "estrangeirismo" no uso cotidiano.
Você já fala mais inglês do que imaginava
Passa os olhos de novo pelas tabelas deste artigo e repara: são mais de cem palavras que você já usa, já entende, já domina no automático, todas em inglês, escondidas dentro do seu português de todo dia. Isso não é coincidência nem sorte, é o resultado natural de décadas de tecnologia, cultura pop e trabalho global se misturando com a língua que você fala em casa. Se essa forma de aprender vocabulário por lista funcionou pra você, a coleção de palavras de cinco letras em inglês, organizada por tema, é um bom próximo passo pra continuar expandindo o repertório.
A diferença entre ter esse vocabulário guardado e conseguir usar ele numa conversa real em inglês é menor do que parece, mas exige um passo que a maioria das pessoas nunca dá: treinar a fala, em voz alta, com correção de verdade. Se você quiser dar esse passo agora, o quiz da Comigo, que leva 2 minutos, é um jeito rápido de descobrir por onde começar, usando exatamente essa base que você já tem.
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