
Você já deve ter decorado isso no primeiro mês de inglês: "it" quer dizer "isso". Simples, direto, resolvido. Aí um dia você assiste uma série, ou abre o Duolingo, ou ouve alguém na rua, e esbarra em "it's raining". Isso quem? Não tem "isso" nenhum ali, só nuvem e chuva. Alguns minutos depois vem "it's five o'clock", e você pensa: cadê o "isso" agora? E se o caos ainda não bastasse, alguém apresenta uma amiga dizendo "it's Sarah", e o seu cérebro trava de vez, porque Sarah é uma pessoa, não uma coisa.
Se você já sentiu esse nó na garganta, este texto foi escrito para desatar ele de vez. "It" é uma das palavras mais curtas do inglês e, ao mesmo tempo, uma das que mais confunde quem vem do português, porque ela faz um trabalho que a nossa língua simplesmente não pede para nenhuma palavra fazer. Vamos abrir cada uso dela, um por um, com exemplos reais, tabelas para consulta rápida e os erros que brasileiros cometem com mais frequência. No final, "it" vai parar de ser um mistério e virar só mais uma ferramenta na sua caixa.
O que é "it" em inglês
"It" é um pronome pessoal. Mais especificamente, é o pronome de terceira pessoa do singular usado para coisas, animais, ideias, sentimentos e situações, quando não faz sentido falar "he" (ele) ou "she" (ela). Em português, "he" vira "ele" e "she" vira "ela", mas "it" não tem uma tradução fixa: dependendo da frase, ele pode virar "ele", "ela", "isso", "aquilo" ou simplesmente desaparecer na tradução, porque a função dele é gramatical, não seria natural traduzir palavra por palavra.
A diferença mais importante para gravar logo de cara: em português, os substantivos têm gênero. "A cadeira" é feminino, "o carro" é masculino, mesmo sendo objetos sem sexo biológico algum. Em inglês, isso simplesmente não existe para objetos, animais em geral ou ideias abstratas. Não existe "a chair" feminino e "the car" masculino: os dois usam "it", porque o inglês não atribui gênero gramatical a coisas. É esse ponto que o artigo do Quillbot sobre o pronome "it" reforça: "it" é a peça neutra que o inglês usa exatamente para não precisar escolher entre masculino e feminino quando não existe essa escolha para fazer. O guia da Hashtag Treinamentos sobre como usar o it em inglês chega na mesma conclusão por outro caminho: "it" existe justamente para os casos em que "he" e "she" não fazem sentido nenhum.
O dicionário da Oxford para aprendizes, um dos mais respeitados do mundo, lista o "it" como pronome sob nove usos diferentes, do mais simples ("aquela caneta ali, ela está sobre a mesa") até os mais abstratos, como marcar tempo, clima e distância, ou dar ênfase numa frase. A própria entrada do Cambridge Dictionary para "it" confirma essa lista, separando o uso como pronome pessoal do uso como sujeito vazio. Não se assuste com o número: quase todos esses nove usos, no fundo, se resumem a uma ideia central, "it" preenche o lugar de sujeito ou objeto quando o que está sendo mencionado não é uma pessoa com gênero definido, ou quando a frase nem precisa de um referente real. É essa ideia central que este texto vai destrinchar do começo ao fim.
Vale lembrar também que "it" nunca aparece sozinho como "eu" ou "você" apareceriam. Se você já passou pela dúvida de como se escreve "eu" em inglês, sabe que "I" é sempre maiúsculo e sempre se refere à primeira pessoa; "it" mora do outro lado da tabela de pronomes, na terceira pessoa, ao lado de "he", "she" e "they". Conhecer essa tabela inteira ajuda a enxergar onde "it" se encaixa, e a Wikipédia tem um artigo detalhado sobre o sistema de pronomes pessoais do inglês que mostra como pessoa, número e caso se cruzam para formar "I, me, my, mine", "he, him, his", e assim por diante, com "it" ocupando a casa neutra da terceira pessoa.
Quando usar "it" para se referir a objetos, animais e ideias
O uso mais intuitivo de "it" é justamente aquele que você já conhece: substituir algo que já foi mencionado, para não repetir o mesmo substantivo a cada frase. Funciona para objetos, para animais (quando o sexo não é conhecido ou não importa) e para ideias, sentimentos e situações abstratas. É basicamente a versão inglesa do "ele/ela" ou do "isso" que usamos em português para evitar repetição, só que sem escolher gênero.
Repare como, no português, você diria "comprei um celular novo, ele é rápido" (usando o gênero do substantivo "celular"), enquanto no inglês a frase fica "I bought a new phone. It's fast", sem qualquer marca de gênero. O mesmo vale para animais que você encontra na rua sem saber se são machos ou fêmeas: "I saw a dog. It was sleeping on the sidewalk." Só quando o animal tem um vínculo afetivo conhecido, como um bichinho de estimação com nome e dono, é que o inglês tende a trocar "it" por "he" ou "she".
| Frase em inglês | Tradução | Quando usar |
|---|---|---|
| I bought a new phone. It's fast. | Comprei um celular novo. Ele é rápido. | Objeto já mencionado, sem gênero em inglês |
| I saw a dog. It was sleeping. | Vi um cachorro. Ele estava dormindo. | Animal cujo sexo não é conhecido ou não importa |
| This idea sounds crazy, but it might work. | Essa ideia parece louca, mas pode funcionar. | Ideia abstrata mencionada antes |
| I love my job. It makes me happy. | Amo meu trabalho. Ele me faz feliz. | Situação ou sentimento |
| The movie was long, but it was worth it. | O filme foi longo, mas valeu a pena. | Retomar uma experiência inteira, não só um objeto |
| Where's the remote? It's on the couch. | Cadê o controle? Está no sofá. | Objeto do dia a dia, resposta curta |
Um detalhe que ajuda bastante: "it" pode se referir não só a uma palavra específica, mas a uma frase inteira, uma situação completa. Em "the movie was long, but it was worth it", o segundo "it" não está falando do filme como objeto, está retomando toda a experiência de assistir. Esse tipo de uso é comum em conversas do dia a dia e costuma confundir quem tenta traduzir palavra por palavra, então o segredo é sempre perguntar: "it" está apontando para uma coisa concreta, ou para uma ideia inteira que já foi dita? O blog Linguistika tem um panorama parecido sobre as aplicações do it em inglês, útil se você quiser ver mais exemplos com objetos do cotidiano.
O "it" sujeito vazio: dummy it
Agora chegamos na parte que mais assusta quem está aprendendo: o "it" que não se refere a absolutamente nada. Gramáticos chamam esse uso de "dummy subject" ou "dummy it" (às vezes também "expletive it", ou sujeito vazio), e ele aparece em quatro situações centrais: clima, hora, data e distância.
Pense em "it's raining". Chovendo o quê? Não existe um "isso" que está chovendo, a chuva simplesmente acontece. Em português, a gente resolve isso sem esforço: "está chovendo", frase completa, sem sujeito nenhum antes do verbo. O inglês não aceita essa solução. Como o guia da LanGeek sobre pronomes vazios explica, esse "it" não representa nenhum objeto real: ele só está ali para preencher a posição de sujeito que toda oração em inglês precisa ter. O artigo do site Prospero English sobre usos especiais de "it" traz exatamente os mesmos exemplos, mostrando frases como "it's cold out there" e "it's a long way from New York to Denver", onde "it" não aponta para nada, só sustenta a estrutura da frase. Já o blog do Editor's Manual, especializado em gramática inglesa, chama esse fenômeno de "empty it" e destaca que a própria palavra "raining" não carrega marcação de sujeito nenhuma: o "it" existe só para o inglês não quebrar sua própria regra de sempre ter alguém, ou alguma coisa, na posição de sujeito.
A mesma lógica vale para hora: "what time is it?" pergunta as horas sem perguntar sobre coisa nenhuma, e a resposta "it's five o'clock" repete o mesmo "it" vazio. Para data funciona igual: "it's Monday", "it's July 29th". E para distância também: "it's 10 km to the beach", "it's a long way from here". Em todos esses casos, "it" é decoração gramatical obrigatória, nunca um substituto de algo mencionado antes.

| Frase em inglês | Tradução | Categoria |
|---|---|---|
| It's raining. | Está chovendo. | Clima |
| It's cold today. | Está frio hoje. | Clima |
| It's sunny outside. | Está ensolarado lá fora. | Clima |
| It's windy near the beach. | Está ventando perto da praia. | Clima |
| What time is it? | Que horas são? | Hora |
| It's five o'clock. | São cinco horas. | Hora |
| It's almost midnight. | Está quase meia-noite. | Hora |
| It's Monday. | Hoje é segunda-feira. | Data |
| It's July 29th. | Hoje é 29 de julho. | Data |
| It's my birthday. | Hoje é meu aniversário. | Data |
| It's 10 km to the beach. | Faltam 10 km para a praia. | Distância |
| It's a long way from here. | É um caminho longo daqui. | Distância |

Se você quer treinar frases de hora em inglês na prática, vale revisar como formar essas expressões com as atividades sobre horas em inglês, e para as datas o post sobre datas em inglês de 1 a 31 detalha como falar cada dia do mês sem travar no meio da frase. Já quem sente confusão parecida com estações do ano pode conferir o guia das estações do ano em inglês em ordem, porque frases de clima e de estação costumam aparecer juntas em conversas reais. E se a dúvida for na hora de escolher entre artigos curtos antes de um substantivo (algo parecido com a confusão que "it" causa), vale a pena revisar quando usar "a" ou "an" em inglês, outra regra pequena que trava muita gente boa.
It como pronome objeto
Além de sujeito, "it" também trabalha como objeto, ou seja, ele recebe a ação do verbo em vez de praticá-la. É a mesma lógica de "eu comprei um livro, eu amo ele" (o que soa estranho em português, já que preferimos "eu amo", entendendo o objeto pelo contexto, ou "eu o amo" na norma culta), só que em inglês esse objeto quase nunca pode ser omitido.
Veja "I bought a book. I love it." O segundo "it" é objeto direto do verbo "love", substituindo "the book" para não repetir. Da mesma forma, "can you pass it to me?" usa "it" como objeto do verbo "pass". O artigo da Wikipédia sobre o pronome "it" descreve exatamente essa dupla função: "it" muda de forma zero entre sujeito e objeto, ao contrário de "he/him" ou "she/her", que têm uma forma para cada papel. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo: bom porque você não precisa decorar uma forma extra, ruim porque fica mais fácil esquecer que, mesmo sem mudar de forma, "it" ainda está fazendo um trabalho gramatical diferente dependendo da posição na frase.
| Frase em inglês | Tradução | Papel de "it" |
|---|---|---|
| I bought a book. I love it. | Comprei um livro. Eu amo ele. | Objeto direto |
| Can you pass it to me? | Você pode me passar isso? | Objeto direto |
| She found her phone and put it in her bag. | Ela achou o celular e colocou na bolsa. | Objeto direto |
| I don't understand it. | Eu não entendo isso. | Objeto direto |
| Give it to your sister. | Dê isso para sua irmã. | Objeto direto |
| Think about it before you answer. | Pense nisso antes de responder. | Objeto de preposição |
Repare no último exemplo: "think about it" usa "it" depois de uma preposição, "about". Esse é um bom gancho para revisar como as preposições em inglês se comportam, já que "it" aparece constantemente colado a "about", "with", "for", "on" e outras preposições curtas em frases do dia a dia.
It's vs Its: a confusão que nem os nativos escapam
Aqui mora um dos erros mais comuns entre iniciantes, e olha que nem só brasileiro erra isso: nativos de inglês também trocam "it's" por "its" com frequência, porque as duas palavras soam idênticas na fala. A diferença mora só na escrita, e ela é simples assim que você grava a regra certa.
"It's", com apóstrofo, é uma contração. Ela substitui "it is" ou "it has". Sempre que você conseguir expandir a palavra de volta para "it is" ou "it has" sem quebrar o sentido da frase, o correto é "it's". Já "its", sem apóstrofo, é um pronome possessivo, funciona como "his" ou "her", só que para coisas e animais sem gênero. Ele nunca leva apóstrofo, porque não é uma contração de nada.
O guia do Dictionary.com sobre o assunto resume bem: "its" mostra posse ("the hotel raised its rates"), "it's" é sempre "it is" ou "it has" disfarçado. E o mesmo artigo conta um detalhe curioso de história da língua: até o século 19, era comum escrever "it's" também para indicar posse, seguindo o mesmo padrão de "John's book". A ortografia só se firmou como conhecemos hoje quando o inglês decidiu alinhar "its" com outros possessivos que também não usam apóstrofo, como "his", "hers" e "theirs". O site brasileiro Tecla SAP tem uma explicação bem direta sobre isso em português, reforçando o mesmo truque de expandir a contração mentalmente antes de escrever.
O truque de memória mais eficiente é este: sempre que bater a dúvida, tente substituir por "it is" ou "it has" em voz alta. Se a frase continuar fazendo sentido, escreva "it's". Se soar estranho ou sem sentido, é "its". Por exemplo, em "the cat chased its tail", tentar "the cat chased it is tail" soa completamente errado, então o correto é "its", possessivo, sem apóstrofo.
| Frase | Correto ou incorreto | Por que |
|---|---|---|
| It's raining again. | Correto | "It is raining again" faz sentido |
| The dog wagged it's tail. | Incorreto | Deveria ser "its tail" (posse, sem apóstrofo) |
| The company changed its logo. | Correto | Posse: o logo pertence à empresa |
| Its been a long day. | Incorreto | Deveria ser "It's been" ("it has been") |
| The cat licked its paw. | Correto | Posse: a pata pertence ao gato |
| I think it's going to rain. | Correto | "It is going to rain" funciona |
Se essa regra ainda parecer escorregadia, vale reler o guia de gramática em inglês em pdf para revisar contrações de forma mais ampla, porque "it's" segue o mesmo padrão de outras contrações como "he's", "she's" e "they're".
Aqui cabe uma pausa. Até agora você aprendeu a regra no papel, sabe identificar quando usar "it's" e quando usar "its" olhando para uma frase escrita. Mas ler a regra e produzir a frase certa em tempo real, no meio de uma conversa, com alguém esperando sua resposta, são duas habilidades completamente diferentes. É exatamente essa lacuna que o Comigo foi feito para fechar: em vez de só ler regras e marcar respostas na tela, você fala em voz alta, e o app escuta e corrige palavra por palavra, até a escolha entre "it's" e "its" virar automática na sua boca, não só na sua cabeça. Se quiser sentir isso na prática, dá para experimentar o quiz gratuito do Comigo agora mesmo.
Por que o inglês nunca deixa o sujeito implícito
Chegamos na pergunta que explica tudo o que veio antes: por que o inglês insiste em usar "it" mesmo quando não há nada real para ele representar? A resposta está numa diferença estrutural profunda entre inglês e português, algo que linguistas chamam de parâmetro do sujeito nulo, ou línguas "pro-drop", como a própria Wikipédia descreve em detalhe ao comparar famílias de línguas que permitem ou proíbem essa omissão.
Português é uma língua de sujeito nulo. Isso quer dizer que você pode simplesmente omitir o sujeito de uma frase, porque a conjugação do verbo já entrega essa informação. "Está chovendo" não tem sujeito explícito, e ninguém sente falta dele, porque "está" já é suficientemente claro sozinho. O mesmo vale para "Fui ao mercado" (sem precisar dizer "eu fui"), ou "Choveu ontem". O verbo carrega a pessoa gramatical dentro da própria conjugação, então o sujeito vira opcional na maior parte dos casos.
O inglês é o oposto: uma língua de sujeito obrigatório. As conjugações verbais em inglês são pobres em marcação de pessoa (compare "I go, you go, he goes, we go, they go": quase tudo igual, só o "he/she/it" muda com um "-s"), então o verbo sozinho não dá conta de indicar quem faz a ação. Sem um sujeito explícito, a frase vira ambígua ou simplesmente incompleta. É por isso que "raining" sozinho não forma uma frase em inglês: falta um sujeito, e como não existe nenhum sujeito real disponível (ninguém "faz" a chuva acontecer), o inglês inventa um, o "it" vazio, só para preencher aquele espaço obrigatório.
Esse contraste é a peça central por trás de toda a confusão que trouxe você até este texto. Quando você aprendeu a dizer "está chovendo" a vida inteira sem precisar de sujeito, seu cérebro criou o hábito de que verbos sozinhos bastam. O inglês quebra esse hábito de forma silenciosa: nenhum professor avisa isso de cara, então o aluno tropeça em "it's raining" tentando entender que "isso" está chovendo, quando na real o "it" não significa nada, ele só está cumprindo uma regra estrutural da língua. O blog de gramática Grammarphobia tem um post inteiro sobre esse fenômeno, chamando o "it" vazio de "dummy" no sentido literal: um boneco de teste, um substituto sem vida real, colocado ali só para a frase ficar de pé. Uma vez que você entende esse mecanismo, frases como "it's cold", "it's late" e "it's far from here" param de parecer arbitrárias e passam a fazer sentido como parte de um sistema consistente: toda frase em inglês precisa de sujeito, ponto final, mesmo quando não há nada real para ocupar esse lugar.
Essa rigidez estrutural também explica por que o inglês depende tanto de conectores para deixar frases longas claras: como o verbo sozinho entrega pouca informação, palavras que amarram uma ideia à outra carregam peso extra. Vale revisar os conectivos em inglês por esse motivo: eles fazem, em outro nível, um trabalho parecido com o do "it" vazio, sustentam a estrutura da frase para que nada fique subentendido.
Vale notar que outras línguas europeias resolvem isso de formas diferentes. O espanhol e o italiano, por exemplo, também são línguas de sujeito nulo como o português, então falantes dessas línguas passam pelo mesmo estranhamento ao aprender inglês. Já línguas germânicas como o alemão e o holandês, parentes próximos do inglês, também exigem sujeito explícito e usam construções parecidas com "es regnet" (alemão) para "chove", o equivalente direto ao "it rains" inglês. Isso mostra que a exigência de sujeito não é um capricho aleatório do inglês, é uma característica estrutural que ele compartilha com uma família inteira de línguas.
It para bebês e animais quando o gênero é desconhecido ou irrelevante
Uma das aplicações mais curiosas de "it" acontece justamente com seres vivos, quando o falante não sabe (ou não considera relevante no momento) se está falando de macho ou fêmea. É comum ouvir "the baby is sleeping, it looks so peaceful" quando ninguém perguntou o sexo do bebê, ou quando quem fala simplesmente não sabe. A mesma lógica vale para animais desconhecidos: "there's a bird on the fence, it keeps singing".
Isso soa estranho para um brasileiro, porque em português a gente tende a supor um gênero mesmo sem saber ("o bebê está dormindo", no masculino genérico), enquanto o inglês tem essa saída neutra pronta, sem forçar escolha nenhuma. É diferente de línguas que têm gênero gramatical até para substantivos inanimados: o inglês moderno praticamente abandonou esse sistema, sobrando gênero real só para pessoas e alguns animais com vínculo afetivo definido (como animais de estimação com nome). O material de gramática básica do Inglês Online sobre o uso do it chega à mesma conclusão ao comparar animais de estimação com animais silvestres: o carinho e o nome próprio são o que puxam a troca de "it" para "he" ou "she", não o animal em si.

Vale uma ressalva importante: usar "it" para se referir a uma pessoa adulta, mesmo desconhecida, costuma soar rude ou desumanizador em inglês. Bebês são uma exceção tolerada, principalmente em contextos informais ou quando o sexo genuinamente não é conhecido por quem fala, mas ainda assim muita gente prefere usar "they" no singular ("the baby is sleeping, they look so peaceful") justamente para evitar a sensação de tratar uma criança como objeto. Isso é um bom lembrete de que gramática e educação andam juntas: a regra existe, mas o jeito como você a usa também comunica intenção.
Expressões idiomáticas e frases feitas com "it"
O inglês é generoso com expressões que usam "it" sem um referente claro, praticamente como uma partícula fixa dentro de uma frase pronta. Aprender essas expressões de cor economiza um trabalho enorme de tradução literal, que quase nunca funciona palavra por palavra. O blog Prosa reúne vários desses significados diferentes de "it" em inglês, mostrando como o mesmo "it" muda de sabor dependendo da expressão ao redor dele.

| Expressão | Tradução aproximada | Quando usar |
|---|---|---|
| Take it easy | Vai com calma / Relaxa | Pedir para alguém se acalmar, ou despedida informal |
| Make it | Conseguir chegar a tempo, ou dar certo na vida | "I made it to the airport" ou "she really made it as an artist" |
| This is it | É isso aí / Chegou a hora | Momento decisivo, o instante que se esperava |
| Lose it | Perder a cabeça / Surtar | Perder o controle emocional, ficar furioso ou descontrolado |
| Call it a day | Encerrar o expediente / Parar por hoje | Decidir parar uma atividade antes do fim do previsto |
| Live it up | Aproveitar a vida ao máximo | Curtir sem economizar energia, geralmente em uma festa ou viagem |
| That's it | É isso mesmo / Chega | Confirmar algo, ou encerrar uma discussão |
| Easy does it | Devagar e sempre / Com cuidado | Pedir cautela ao mover algo frágil ou fazer algo delicado |
| Hit it off | Se dar bem de cara | Duas pessoas que criam conexão rápido ao se conhecer |
| Give it a shot | Tentar / Dar uma chance | Encorajar alguém a experimentar algo novo |
| Sleep on it | Pensar durante a noite antes de decidir | Adiar uma decisão importante para pensar com calma |
| Step on it | Acelerar / Correr | Pedir pressa, literalmente ou em sentido figurado |
Um detalhe sobre "call it a day": segundo o site The Idioms, a expressão nasceu no fim do século 19, na variante "call it half a day", usada por trabalhadores que saíam do serviço antes do horário previsto. A versão completa "call it a day" só ficou popular a partir de 1919. É um bom lembrete de que expressões idiomáticas carregam história dentro delas, mesmo quando parecem só uma sequência aleatória de palavras curtas.
Já "take it easy" tem entrada própria no dicionário Cambridge, que lista dois sentidos principais: relaxar fisicamente, ou não se estressar com uma situação. A expressão também funciona como despedida casual entre amigos, parecida com "se cuida" em português. O mesmo dicionário também documenta separadamente "lose it", "make it", "this is it", "easy does it", "live it up" e "that's it", cada uma com seus próprios exemplos de uso, o que confirma que essas expressões não são gírias passageiras, são entradas de dicionário sólidas, usadas há décadas.
Vale reforçar: nenhuma dessas expressões deve ser traduzida palavra por palavra. "Lose it" não tem nada a ver com perder um objeto, e "make it" não é sobre fabricar nada. São blocos fixos, e o jeito mais eficiente de aprender é ouvindo em contexto real repetidas vezes, até a expressão inteira grudar na memória como uma unidade só, exatamente como você já faz com expressões em português sem parar para analisar cada palavra separadamente. Se você gosta desse tipo de expressão fixa, o guia de expressões em inglês reúne muitas outras fora do universo do "it" que valem a mesma lógica de memorização em bloco.
It em frases de ênfase: cleft sentences
Existe um uso de "it" que parece chique à primeira vista, mas na real é só um jeito de destacar uma parte específica de uma frase, como se você apertasse um marcador de texto em cima da palavra mais importante. Gramáticos chamam isso de "cleft sentence" (frase clivada), e a estrutura básica é: "It + was/is + a parte que você quer destacar + who/that + o resto da frase".
Pegue a frase simples "Kelly invited you, not Max". Ela já está correta, mas não deixa claro, de cara, que o ponto principal é "foi a Kelly, não o Max". Reescrita como cleft sentence, ela vira "It was Kelly who invited you, not Max", e agora o nome "Kelly" ganha todo o holofote da frase. O material de gramática do Cambridge Dictionary sobre pronomes pessoais usa exatamente este exemplo, e o Cambridge também dedica uma página inteira só para cleft sentences, com exemplos como "it was in June we got married", destacando a data em vez do casamento em si.

O funcionamento é simples assim que você separa as peças: "it" + o verbo "be" conjugado, depois a parte que você quer enfatizar, depois "who" (para pessoas) ou "that" (para coisas, ou também aceito para pessoas em registros mais informais), e por fim o resto da informação, que na frase original já era conhecida. A lógica por trás disso é sempre a mesma: colocar a informação nova logo depois do "it was/is", e deixar o que já era esperado para o final. A LanGeek tem um curso próprio sobre cleft sentences que separa esse padrão em variações menores, incluindo casos com "what" no lugar de "it", e o Grammaring organiza os mesmos exemplos por tipo de elemento destacado, sujeito, objeto ou até o próprio verbo.
| Frase original | Frase com ênfase (cleft) | O que foi destacado |
|---|---|---|
| Kelly invited you, not Max. | It was Kelly who invited you, not Max. | A pessoa: Kelly |
| We got married in June. | It was in June we got married. | O período: junho |
| I need your help, not your advice. | It's your help that I need, not your advice. | O que é necessário: ajuda |
| My brother broke the window. | It was my brother who broke the window. | A pessoa: o irmão |
| She solved the problem, not the manager. | It was she who solved the problem, not the manager. | A pessoa: ela |
Não existe mistério nenhum além disso. É um recurso comum na fala do dia a dia, principalmente quando alguém quer corrigir uma suposição errada ("no, it wasn't John, it was Peter") ou destacar exatamente qual detalhe importa em uma frase mais longa. Uma vez que você identifica o padrão "it + be + parte destacada + who/that", ele deixa de parecer avançado e vira só mais uma ferramenta de ênfase, parecida com o jeito que a gente, em português, usa "foi + fulano + quem" para o mesmo efeito ("foi a Kelly quem te convidou, não o Max").
Erros comuns de brasileiros ao usar "it"
Depois de conhecer todos os usos de "it", vale mapear onde a maioria dos aprendizes brasileiros tropeça na prática. Esses erros se repetem tanto que valem uma lista dedicada, para você reconhecer o padrão antes de cair nele.
O primeiro erro, e provavelmente o mais frequente, é simplesmente omitir o "it" porque o português permite sujeito nulo. Um aluno tenta traduzir "está chovendo" e escreve "is raining" sem sujeito, porque no cérebro dele, acostumado ao português, isso já soa completo. A frase correta precisa do sujeito vazio: "it's raining". A mesma omissão aparece com "is cold today" no lugar de "it's cold today", ou "is 5 o'clock" em vez de "it's five o'clock". A raiz do problema é exatamente a diferença estrutural que vimos antes, entre línguas de sujeito nulo e línguas de sujeito obrigatório: o hábito mental do português entra em conflito direto com a exigência do inglês.
O segundo erro comum é confundir "it's" com "its" na escrita, mesmo depois de entender a regra na teoria. Como as duas palavras soam idênticas ao falar, o cérebro às vezes escreve pelo som, não pela função gramatical, e escapa um "its" onde deveria estar "it's" (ou o contrário). A solução prática continua sendo a mesma: sempre que bater a dúvida, teste mentalmente se cabe "it is" ou "it has" no lugar.
O terceiro erro é usar "it" para se referir a pessoas, principalmente em situações onde o aluno está tentando ser neutro ou não sabe o gênero de alguém à distância. Em inglês, isso soa estranho ou até rude quando aplicado a um adulto: o padrão esperado é "he", "she", ou, cada vez mais comum em contextos neutros, "they" no singular. "It" fica reservado quase exclusivamente para objetos, animais em geral, ideias, e bebês em contextos bem específicos, como vimos na seção anterior.
Um quarto erro, mais sutil, é tentar traduzir expressões idiomáticas com "it" palavra por palavra, o que quase sempre produz uma frase sem sentido em português e, pior, uma frase artificial se o aluno tentar "traduzir de volta" para o inglês. "Lose it" não tem relação com perder algo físico, e forçar essa tradução literal atrapalha a memorização da expressão como bloco fixo.
Por fim, um quinto erro acontece com o uso enfático (cleft sentences): alunos avançados às vezes tentam formar a frase sem o "who/that" de conexão, produzindo algo como "it was Kelly invited you" em vez de "it was Kelly who invited you". A peça de conexão é obrigatória nesse tipo de estrutura, mesmo que em português a gente às vezes solte ela ("foi a Kelly te convidou" soa estranho até em português informal, mas o inglês é ainda mais rígido aqui).
Reconhecer esses cinco padrões de erro já coloca você à frente da maioria dos alunos que aprendem "it" só decorando regra solta, sem entender de onde vem a confusão. E aqui cabe uma segunda pausa, porque identificar o erro no papel é uma coisa, sentir o erro saindo da própria boca durante uma conversa real é outra completamente diferente. É esse o motivo pelo qual o Comigo é construído em volta da fala, não do texto: você pratica frases com "it" em voz alta, ouve sua própria pronúncia sendo corrigida palavra por palavra, e repete até errar menos, do jeito que qualquer língua realmente se aprende, falando, não só lendo regra atrás de regra. Se quiser testar isso com as próprias frases deste texto, dá para abrir uma conversa de verdade no Comigo e ver quantas vezes o "it" sai certo de primeira.
Perguntas frequentes sobre "it" em inglês
"It" pode se referir a uma pessoa?
Em situações bem específicas, sim, mas com ressalvas importantes. O caso mais aceito é o de bebês, quando o sexo é desconhecido ou considerado irrelevante no momento da fala ("the baby is sleeping, it looks so calm"), embora muita gente prefira "they" no singular por soar mais gentil. Fora esse contexto, usar "it" para uma pessoa adulta é considerado rude ou desumanizador, porque sugere tratar alguém como objeto. Também existe o uso de "it" para identificar quem está em uma ligação ou na porta, sem nenhum tom ofensivo: "who is it?" perguntando quem está batendo, e a resposta pode ser "it's me" ou "it's Sarah". Nesse caso específico, "it" não está classificando a pessoa como coisa, está apenas preenchendo a estrutura da pergunta "quem é", exatamente como fizemos na seção sobre sujeito vazio.
Qual a diferença entre "it" e "this/that"?
"It" retoma algo que já foi mencionado antes, sem apontar fisicamente para nada, enquanto "this" e "that" são pronomes demonstrativos, servem para apontar algo, seja no espaço físico ("this is my phone", segurando o aparelho na mão) ou no discurso ("that's a good point", reagindo a algo que a outra pessoa acabou de dizer). O guia de gramática do Cambridge Dictionary sobre "this, that, these, those" organiza bem essa diferença: os demonstrativos carregam noção de distância, "it" não carrega nenhuma. Uma boa forma de sentir isso: "this" e "that" carregam uma noção de proximidade ou distância (este aqui perto, aquele ali longe), enquanto "it" é neutro quanto a isso, só substitui algo sem indicar posição nenhuma. Compare "I bought a car. It's red" (retomando o carro já mencionado) com "Look at that car, it's red" (apontando fisicamente para o carro com "that", depois retomando com "it").
"It" tem plural?
Não como pronome isolado. O plural correspondente de "it" é "they" (para o sujeito) e "them" (para o objeto), independente de "they" também servir como pronome neutro para pessoas. Ou seja, se você tem um objeto e depois passa a falar de vários, a troca é de "it" para "they/them": "I bought a book. It's great" vira "I bought some books. They're great" no plural. Não existe uma forma plural própria de "it", diferente do que acontece com "this" (plural "these") e "that" (plural "those").
Como traduzir "it" sozinho, sem contexto?
Essa é uma pegadinha comum: "it" sozinho, fora de uma frase, não tem tradução fixa, porque o significado dele depende inteiramente do que ele está substituindo ou de qual função gramatical está cumprindo naquele momento. Pode virar "ele", "ela", "isso", "aquilo", ou simplesmente sumir na tradução (como nos casos de sujeito vazio, onde "it's raining" vira só "está chovendo", sem nenhuma palavra equivalente a "it"). Por isso, sempre que alguém perguntar "o que significa it", a resposta mais honesta é: depende da frase inteira, não da palavra isolada.
"It" pode ser usado no começo de uma pergunta?
Sim, e é bem comum. "Is it raining?", "What is it?", "How far is it?" são todas perguntas construídas em cima do "it" vazio ou retomando algo já mencionado. A estrutura de pergunta em inglês costuma inverter o verbo auxiliar com o sujeito ("is it..." em vez de "it is..."), mas o "it" continua exercendo a mesma função de sempre, só que na posição de pergunta.
Existe algum caso em que o inglês aceita omitir o sujeito?
Praticamente não, fora de contextos muito informais de fala rápida ("sounds good" no lugar de "it sounds good", ou "looks like rain" no lugar de "it looks like rain"), que funcionam mais como atalhos coloquiais do que como regra gramatical formal. Em qualquer registro escrito, formal, ou mesmo em uma conversa cuidada, o sujeito explícito continua sendo obrigatório. É um bom motivo para não se guiar por frases que você ouve em música ou em legendas informais, que às vezes cortam o sujeito por questão de ritmo, e sim entender que a regra de base do inglês pede sujeito sempre.
Praticando de verdade
Você chegou até aqui sabendo exatamente o que é "it", quando ele substitui algo real e quando ele só preenche um espaço vazio na gramática, por que o inglês nunca aceita um verbo sozinho como o português aceita, e como diferenciar "it's" de "its" sem hesitar. Isso é conhecimento sólido, e vale a pena ter aprendido tudo isso com calma. Dominar detalhes assim, aliás, é justamente o tipo de coisa que separa um inglês básico de um inglês já perto do nível B1: não é vocabulário raro que faz a diferença, é acertar as peças pequenas e chatas que ninguém explica direito.
Mas existe uma linha que separa entender uma regra de conseguir usar essa regra em tempo real, no meio de uma frase que você está formando enquanto fala, sem tempo para parar e pensar em "it's" ou "its", em "it" objeto ou "it" vazio. Essa linha só se cruza com prática de fala de verdade, repetida, em voz alta, com alguém ou alguma coisa te ouvindo e te corrigindo. Ler sobre gramática sozinho, por mais completo que o texto seja, treina o seu olho, não a sua língua. Se você quer entender onde realmente está a sua proficiência em inglês hoje, o teste mais honesto não é uma prova de múltipla escolha, é uma conversa real, ao vivo, sem tempo para consultar regra nenhuma.
É exatamente aí que entra o Comigo: um app pensado para você aprender falando desde a primeira lição, não decorando regra depois de regra em silêncio. Você fala em voz alta, o app ouve palavra por palavra, corrige na hora, e transforma cada "it" que você aprendeu aqui em uma frase que sai naturalmente da sua boca, sem pausa para tradução mental. Junte isso a um pouco de jogo e a prática com amigos, e a regra que parecia só teoria vira hábito de verdade. Se você quer sentir essa diferença agora mesmo, o próximo passo é este quiz rápido do Comigo.
E na próxima vez que alguém disser "it's raining" ou apresentar uma amiga com "it's Sarah", você não vai mais travar tentando encontrar o "isso" que não existe. Você vai simplesmente entender, e, com prática, vai simplesmente falar de volta.
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